Pré-sal

Não encontro argumentos para ter qualquer atitude contrária ou cética em relação à posição que o governo adotou na questão do pré-sal. Quando leio ou ouço nos grandes veículos de informação que Lula está usando o tema com motivações eleitorais, aí sim é que percebo a intenção de campanha que a mídia dá ao assunto. Penso que o Brasil está diante da 3a. grande oportunidade de impulsionar o desenvolvimento econômico em bases independentes dos grandes interesses privados internacionais ou nacionais. A primeira ocorreu com a criação de Volta Redonda; a segunda, quando a Petrobrás foi fundada. Nessas duas ocasiões, prevaleceu o interesse público, não propriamente o interesse do governo, mas o do Estado brasileiro. E também nessas duas ocasiões o discurso contrário à iniciativa de Vargas foi muito parecido com o de agora – menos no caso de Volta Redonda, mas intensamente no caso da Petrobrás.

Pois me parece que estamos diante de um momento parecido, não só porque as reservas do pré-sal são estratégicas como recursos minerais que devem permanecer nas mãos do Estado, mas porque o volume de divisas que elas representam pode dar sustentação a um desenvolvimento socialmente orientado, isto é, capaz de promover uma mudança profunda nos setores de maior carência da vida brasileira (Educação e Saúde, por exemplo). Deixar que o grande capital, qualquer que seja a sua constituição ou origem, se apodere disso significa manter a lógica do país como um grande exportador de commodities, mas estruturalmente pobre (leia aqui matéria da BBC Brasil sobre os efeitos que a crise teve sobre o perfil das exportações brasileiras). Aliás, foi esse o destino das principais nações periféricas exportadoras de petróleo e de outras matérias primas industriais.

Quero acompanhar com cuidado a tramitação das medidas que o Governo Federal enviou ao Congresso e conferir os argumentos que vão dominar o debate, especialmente os fundamentos das posições contrárias ao projeto oficial. Sobre o tema, sugiro a leitura do artigo (A tarefa maior) de Janio de Freitas publicado na Folha de 3 de setembro (convertido para o word para que fosse possível postá-lo aqui).

Nova economia e comunicação, quase 10 anos depois

Terminei o trabalho que pretendo apresentar no Congresso de Produção Científica da Metodista. O tema do paper gira em torno de um assunto que ocupou parte das minhas leituras nos últimos anos: passado o deslumbramento provocado pelo impacto das novas tecnologias na economia global, o que restou das promessas de expansão universal da riqueza e da criação de uma nova cultura? No trabalho, tento responder essas questões recorrendo à verdadeira mitologia que a mídia criou em cima de um conceito que, segundo entendo, depois de quase 10 anos, na prática reforçou a natureza concentracionária do capitalismo com efeitos perversos para todas as sociedades. No âmbito da cultura, a consagração de uma dicotomia: o fosso existente hoje entre a funcionalidade e a disfuncionalidade, categorias e normas que atingem todas as áreas da atividade humana.

Minha explicação para o paradoxo que se criou no final dos anos 90, que foi percebido por poucos estudos acadêmicos – invariavelmente por aqueles apoiados em construções teórico-metodológicas de extração radical – é que faltou o conhecimento sobre os processos históricos e sobre o dinamismo das lutas sociais. Vistas as coisas com a perspectiva do presente e tendo no nosso cotidiano as marcas do rescaldo da crise geral que atingiu a economia global no final do ano passado, algumas conclusões são possíveis, pelo menos alguns indicativos, o mais importante deles sobre as práticas discursivas dos profissionais da comunicação: podem ter percebido que devem colocar sua compreensão sobre o que ocorre no mundo a serviço da recuperação do caráter finalista da economia e, com isso, torná-la efetivamente global – não meramente no sentido geográfico ou físico do termo, mas no seu sentido universal, socialmente universal.

Pretendo discutir essas questões no Congresso de outubro.

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